Aos trinta e cinco anos

uma vida de duplo sentido;

um ritual necessário

da passagem da idade.

São espaços deixados de lado

que estremecem os pequenos

e os grandes.

Certas vozes agora chamam

com certos envelopes subscritos;

são notícias dos casais

dados como mortos ou engelhados,

ontem damas de honras

carregando seus buquês

hoje, acompanhantes de funerais.

Três filhos adolescentes

tristes no banco da capela

vendo a idade da melancolia.

Aos quarenta e quatro anos

velhos talentos a desenvolver novos.

Sobrevivermos! Até quando?

Talvez seja uma convicção forte

de nossa firmeza pessoal;

em alguns dias

ela se assemelha a isso,

e, contudo, ...

Coisas da vida!

Curta temporada

que vem e que vai

que não balança mais cai

que roda sempre

feito ciranda!

O céu enrubesceu

e trombas d’águas

caíram sobre a Terra

formando uma tempestade.

 

O trovão abalou os ouvidos

com relâmpagos cortando os ares.

O vento derrubou a mata

e a enxurrada lavou e levou a terra.

 

Foram-se as nuvens

foram-se as águas,

restando a esperança

de não serem as trevas!